Matéria-prima

A falta de matéria-prima para construção e reforma da baleeira pode ser o golpe derradeiro para o fim da embarcação no Brasil. As principais madeiras usadas nesse tipo de barco têm seu corte proibido no território nacional.

Historicamente, as baleeiras usam canela-preta e imbuia na construção de suas estruturas, cavernas, bancos e quilha. Para o costado é comum usar cedro. Também é possível usar araucária, mas todas essas espécies vegetais são protegidas por lei. 

“Salvo que se crie algum tipo de previsão legal para uso excepcional de madeira, seja de aproveitamento ou com algum tipo de certificação específica para uso nestes barcos, o próprio restauro da baleeira fica comprometido, por usar matéria-prima não muito adequada”, revela José Olímpio da Silva Júnior, biólogo e um apaixonado por baleeiras. 

José conta que o empresário Armando Luiz Gonzaga, conhecido pela defesa do patrimônio histórico, artístico e natural de Santa Catarina, deixou importantes estudos antes de falecer, em 2016. Um deles, sobre carpintaria naval, concluiu que as madeiras hoje disponíveis não servem para manter as características de feitio e de qualidade de uma baleeira.

Como uma opção para solução deste dilema entre o respeito ao meio ambiente e a manutenção da tradição pesqueira, surge o uso seletivo de garapuvu para construção de canoas. Baseado em sua experiência como biólogo, José Olímpio imagina que seria possível criar legislação que permitisse um desbaste seletivo, útil para um estágio de regeneração da floresta de araucária, por exemplo. Reaproveitar madeira de demolição é outro caminho apontado pelo biólogo. 



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